domingo, 24 de maio de 2026

O tamanho do peixe virou palco, e o povo, plateia da própria miséria.

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Camaçari enfrenta uma realidade alarmante: mais de 45 mil famílias vivem abaixo da linha da pobreza, e a Bahia registra como o segundo Estado com uma das maiores taxas de desemprego do país segundo de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados pelo Estadão em 16 de maio de 2025.

Cidade industrial, estratégica, rica em arrecadação, dona do segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia, mas pobre em prioridades políticas. Enquanto isso, o que deveria ser um debate sério e profundo sobre o desenvolvimento do município tem sido reduzido a uma disputa vazia e superficial sobre quem deu o maior peixe na Semana Santa. O debate público se perde na vaidade de quem ‘dá mais’.

O governo municipal comemora a distribuição de 60 mil cestas básicas. A ação, que deveria provocar reflexão sobre o nível de desigualdade e insegurança alimentar que ainda atinge milhares de famílias, virou motivo de comemoração e autopromoção. Ao invés de questionar por que ainda temos 60 mil famílias dependendo de uma cesta básica, a classe política festeja como se isso fosse símbolo de eficiência.

O que falta em Camaçari não é recurso. Falta visão de futuro, compromisso com planejamento e coragem para sair do ciclo vicioso do assistencialismo eleitoreiro. A cidade precisa avançar no discurso e agir conforme sua potência econômica. Não podemos continuar aceitando uma política pequena para uma cidade grande.

Precisamos construir um pensamento crítico que vá além do que os olhos podem ver, que questione o senso comum e o discurso superficial que se alimenta da miséria do nosso povo. Camaçari tem cerca de 300 mil habitantes. Ao invés de bater palmas pela entrega de 60 mil cestas, por que não refletir sobre o que levou tantas pessoas a essa condição? Por que não perguntar como o poder pública pode trabalhar para transformar essa realidade gerando emprego, renda e desenvolvimento?

Está na hora de mudar essa lógica. Está na hora de Camaçari ter a grandeza que já existe nos números mas que ainda não se traduz na vida da população.

Lorena Railanna da Costa Mendes – Relações Públicas e Graduanda em História.

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