sábado, 30 de maio de 2026

Mudança emergencial no transporte escolar de Camaçari gera caos e prejudica alunos

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A troca de empresa responsável pelo transporte escolar em Camaçari surpreendeu alunos e responsáveis, que passaram por transtornos nos últimos dias. Segundo a prefeitura, o contrato com a antiga prestadora Dzset foi encerrado em 2 de agosto. Houve tentativa de renovação, mas não foi possível concluir o processo a tempo. Com isso, alunos de diversas regiões, especialmente na zona rural, ficaram horas esperando nos pontos de ônibus sem transporte disponível.

Emily Costa, mãe de uma estudante que está em período de avaliação, contou que a filha perdeu aula por causa dos atrasos. “Somos de Cajazeiras de Abrantes e o ônibus costumava passar para pegar os alunos da Cordoaria, daqui e de Vila Verde. Na segunda-feira, as crianças ficaram sem ir para a escola. O ônibus passou fazendo o roteiro, mas sem as crianças”, relatou.

Vídeos gravados por lideranças locais e responsáveis, aos quais o CORREIO teve acesso, mostram pontos de ônibus lotados. Em uma das imagens, alunos aparecem sentados no meio-fio enquanto um ônibus permanece parado, sem autorização para sair.

Vânio Lima, líder local e ex-vereador, explicou que a Dzset atendia a região de Monte Gordo com 18 ônibus, enquanto a empresa emergencial Safira disponibilizou apenas cinco veículos. Isso resultou em superlotação nos ônibus que estavam em operação.

“Há várias localidades na mesma situação, como Barra do Jacuípe e parte da sede do município. Cerca de 40% a 50% da cidade foi afetada. Antes, algumas áreas eram atendidas pela Radial e outras pela Dzset. Agora, a Safira assumiu o serviço com ônibus em péssimas condições”, afirmou.

Inacessibilidade e falta de estrutura

As imagens mostram que os veículos da Safira apresentam irregularidades graves, como para-brisas quebrados, assentos rasgados e circulação sem janelas. O elevador para pessoas com deficiência (PcD) está quebrado em vários ônibus.

Um vídeo registra o esforço da mãe de um estudante cadeirante para colocar o filho no ônibus, já que o elevador não funcionava. Quatro colegas precisaram erguer manualmente a cadeira de rodas para que o jovem entrasse no veículo. Sem local apropriado para PcD, ele precisou ficar no corredor, segurando-se em uma barra de apoio, sem dispositivos de segurança adequados.

“Sou mãe dele e não acho certo os alunos terem que levantar o menino para colocar aqui dentro. É direito dele ter o ônibus adaptado. Até sexta-feira passada o ônibus estava adaptado, mas agora veio esse aqui. É um descaso”, desabafou a mãe, indignada.

Ainda na segunda-feira, um dos ônibus apresentou problema no freio após deixar alunos na escola e colidiu na lateral de uma residência. Ninguém ficou gravemente ferido.

A reportagem tentou contato com a Safira, mas não obteve resposta. Também não foi possível localizar canais oficiais da Dzset, e o número encontrado no Google não completou a ligação. O espaço segue aberto para posicionamentos.

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