terça-feira, 2 de junho de 2026

Cultura em Camaçari: Quem de Fato Está no Comando da Secult?

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A pergunta que circula entre os agentes culturais desde o início da atual gestão: quem, de fato, está no comando da Secretaria de Cultura?

A resposta não passa exatamente pela figura da secretária nomeada, nem pela assessora-chefe da pasta que em tese teria toda legitimidade. O que se vê, na prática, é a centralização total das decisões nas mãos do assessor técnico Uri Israel Menezes Silva, que também ocupa a presidência da Comissão Executiva de Análise e Seleção Cultural (CEASC).

E isso não é uma percepção ou interpretação, está formalizado por meio de portarias assinadas e publicadas. Uma dessas portarias concede ao assessor técnico “plenos poderes para planejar, coordenar, acompanhar e executar as ações da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) no âmbito municipal”.

Mas a situação se agrava ainda mais com a publicação da Portaria nº 07/2025, na qual o mesmo assessor se estabelece como o único membro deliberativo de uma comissão criada por ele próprio, que assume competências muito além da PNAB. Essa portaria lhe entrega formalmente o poder de “planejar, organizar, acompanhar e executar as ações estratégicas, administrativas e culturais do órgão”, incluindo planejamento orçamentário, elaboração do Plano Anual de Aplicações de Recursos (PAR), execução de programas culturais, e a própria condução da Secretaria de Cultura.

Em termos práticos, isso significa que, dentro da estrutura da Secult, ele possui hoje mais poder decisório do que a Secretária. Mais poder sobre os rumos da pasta do que a assessora-chefe que hoje ocupa um cargo sem comando.

Esse modelo de condução revela, mais uma vez, uma estrutura de poder marcada pelo machismo institucional, onde homens se posicionam como donos do saber, da gestão e do controle, mesmo quando não ocupam oficialmente os cargos máximos. Mulheres são nomeadas, aparecem nas fotos, assinam os documentos, mas têm sua autoridade esvaziada, suas vozes abafadas e sua autonomia constantemente colocada em xeque.

E há um ponto que não pode passar despercebido. Não é só sobre centralização de poder. É, sobretudo, sobre coerência. Como é possível que essa mesma pessoa que, no ano passado, liderou um movimento contra a execução da Lei Paulo Gustavo em Camaçari, contribuindo diretamente para que o município perdesse quase 2,5 milhões de reais destinados à cultura, hoje ocupe uma posição de controle absoluto dentro da pasta?

Como alguém que trabalhou ativamente para inviabilizar uma política pública federal, que deveria fortalecer os trabalhadores da cultura, agora tem nas mãos a formulação, gestão e julgamento de outro edital, também federal, com poderes que passam por cima até da própria estrutura da Secretaria e do Conselho de Cultura?

Isso, no mínimo, causa estranheza. No limite, revela uma profunda contradição, além de expor um projeto de gestão que não prioriza a cultura enquanto política pública, mas sim como espaço de manutenção de vaidades. A pergunta que ecoa é inevitável, quem ganha e quem perde com esse modelo? Porque, se olharmos para a Lei Paulo Gustavo, quem perdeu foi Camaçari e os seus fazedores de cultura. E a história, infelizmente, parece estar se repetindo.

O resultado desse modelo? Um edital cheio de falhas técnicas e jurídicas, publicado com atraso, sem a devida escuta, com riscos reais de que o município perca R$ 1,7 milhão e mais grave, de que fique impedido de acessar novos recursos federais.

Camaçari merece uma política cultural que respeite sua gente, sua diversidade e sua história.

Lorena Railanna da Costa Mendes – Relações Públicas e Graduanda em História.

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