O Brasil enfrenta uma elevação no preço dos alimentos, e a responsabilidade por isso não pode ser simplificada em discursos populistas. Geralmente dos fatores são definitivamente impactantes sobre a alta dos preços; um é a alta do dólar, e o outro são fatores climáticos. Tem que ser muito desonesto intelectualmente para colocar a culpa da questão climática em qualquer governo. Então tratemos daquilo que o governo pode e deve atuar, sobre a alta do dólar em 2024, que é diretamente influenciada pela condução econômica do governo Lula. E qual é a resposta do presidente diante desse cenário, de alta dos preços dos alimentos? Um vídeo onde ele diz que o brasileiro precisa aprender a barganhar e a não comprar onde está caro.
Ora, será que Lula acredita que o problema do povo brasileiro hoje é a falta de habilidade para pechinchar? Quem cresceu indo à feira com a avó, como eu, sabe que essa cultura já faz parte do dia a dia do brasileiro. Desde sempre, as famílias mais humildes negociam preços, buscam promoções e fazem de tudo para esticar o salário até o final do mês. O problema atual, no entanto, não está na decisão individual do consumidor ou na margem de lucro dos mercadinhos de bairro, mas sim na falta de uma política econômica eficiente para conter a disparada dos preços.
Lula recebeu o país com as contas no azul, o real valorizado e a inflação sob controle, mas em menos de dois anos conseguiu inverter esse cenário. E não foi por acaso. A irresponsabilidade fiscal, os ataques constantes ao Banco Central, a fuga de investidores e a instabilidade econômica criada pelo próprio governo fizeram o dólar disparar. E, como consequência, o custo dos alimentos subiu, prejudicando principalmente a população mais carente.
A resposta de um presidente diante dessa crise não deveria ser um conselho banal sobre barganha, mas sim um plano estratégico para reduzir o impacto da inflação. Medidas para estimular a produção agrícola, reduzir impostos sobre itens essenciais e garantir uma política fiscal responsável são ações que fariam diferença real no bolso do brasileiro.
Enquanto isso não acontece, seguimos ouvindo desculpas e transferências de culpa. O brasileiro sempre soube negociar preços, mas agora não é mais uma questão de pechincha. O problema está na raiz da economia, e cabe ao governo resolver – e não jogar a responsabilidade nas costas de quem já sofre diariamente com a alta dos preços.
Anderson Santos – Presidente do PDT – Camaçari, cientista político e Especialista em filosofia da educação e metodologia do ensino superior.


